sexta-feira, 13 de maio de 2011


O crescimento interior é o maior desafio da vida. Por essa razão, muitos preferem continuar no estágio imaturo, apoiados em muletas, que tanto podem ser outros seres humanos, como as ilusões em que a mente lhes faz acreditar.

Uma das principais a que se apegam, é a de que não possuem a força necessária para se transformarem, pois são fracos e incapazes. Muitas vezes estas foram frases ouvidas durante o seu desenvolvimento e, por essa razão se transformaram em crenças, que foram incorporadas como verdades absolutas.

Quebrar estes condicionamentos a que todos fomos expostos, não é fácil, pois exige muita determinação e coragem. E, principalmente, uma disposição inabalável de ser feliz.

Se você acredita plenamente que tem este direito, e o considera algo que ninguém pode lhe roubar, certamente terá toda a energia necessária para conquistá-lo.

Muitas pessoas acreditam que felicidade é uma espécie de troféu, que somente alguns vieram qualificados para conquistar. Mas, é possível, sim, para qualquer ser humano, vivenciar um estado interior de alegria, independente dos julgamentos exteriores.

Ele precisa direcionar o seu olhar em outra direção, para dentro de si, onde encontrará a fonte original de harmonia e paz que todos trouxemos quando chegamos ao mundo.

Ela está sempre presente, mas é sufocada pelas falsas verdades que nos foram impostas e que nós, inconscientemente, assimilamos. Agora é preciso que façamos o caminho de volta, libertando-nos dos condicionamentos para que possamos encontrar nossa face original.

"Depende de cada pessoa o que ela gostaria de fazer com a sua vida. A vida não é preordenada. Ela é uma oportunidade. O que você fará com ela depende de você. Essa liberdade é a prova de que você é uma alma, essa liberdade é a dignidade de você ser uma alma.
Ter uma alma significa que você tem o poder de escolher o que você quer fazer. E a coisa interessante é que você pode ter passado por alguns atos e situações milhares de vezes e, ainda assim, você pode sair fora disso, livrar-se disso, neste exato momento, se você assim decidir.
Mas o que acontece é que a mente tem a tendência de seguir o curso que oferece a menor resistência.
...Religiosidade é a capacidade de decidir. É um esforço para fazer com que as coisas aconteçam diferentemente de como têm acontecido sempre. É uma escolha, uma determinação. Repetir o que tem acontecido sempre até ontem, pode ser evitado através dessa compreensão".

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Yamaka Vagga


1. A mente é o precursor de (todos os maus) estados. A mente é o chefe; são todos confeccionados pela mente. Se a pessoa falar ou agir a partir de uma mente má, por causa disso, o sofrimento segue a pessoa, assim mesmo como a roda segue o casco do boi de puxar carroça.

2. A mente é o precursor de todos os bons estados. A mente é o chefe; são todos confeccionados pela mente. Se a pessoa age ou fala com uma mente pura, por causa disso, a felicidade segue a pessoa, assim como a sombra que nunca vai embora.

3. “Ele me fez mal, ele me bateu, ele me derrotou, ele me roubou”, naqueles que dão guarida a tais pensamentos, o ódio não é apaziguado.

4. “Ele me fez mal, ele me bateu, ele me derrotou, ele me roubou”, naqueles que não dão guarida a tais pensamentos o ódio é apaziguado.

5. Ódios nunca cessam pelo ódio nesse mundo; através somente do não-ódio1 eles cessam. Essa é uma lei eterna2.

6. Os outros não sabem que nessa briga nós morremos; aqueles que percebem isso têm suas brigas acalmadas com isso.

7. Aquele que vive contemplando coisas agradáveis, com os sentidos desregulados, imoderados na comida, indolentes, inativos, esse verdadeiramente Mara3 derruba, assim como o vento derruba um vento fraco.

8. Aquele que vive contemplando “as impurezas”4, com os sentidos regulados, moderado na comida, cheio de fé5, cheio de energia sustentada, esse Mara não derruba, como o vento não derruba uma montanha de pedra.

9. Quem quer que, cheio de máculas, sem auto-controle e verdade, envergue o manto amarelo6, não é digno dele.

10. Aquele que é livrado de toda mácula, está bem estabelecido em morais e agraciado com auto-controle e verdade, é de fato digno do manto amarelo.

11. No que não é essencial eles imaginam o essencial, no essencial vêem o não essencial – aquele que dão guarida a tais pensamentos errados nunca realizam a essência.

12. O que é essencial7 eles vêem como não essencial8, o que é não essencial eles vêem como não essencial, - aqueles que dão guarida a tais pensamentos corretos9 realizam a essência.

13. Assim como a chuva penetra uma casa de telhado furado, assim a cobiça penetra uma mente não cultivada.

14. Assim como a chuva não penetra uma casa de telhado sólido, assim a cobiça não penetra uma mente bem cultivada10.

15. Aqui ele se lamenta, no além ele se lamenta. Em ambos estados aquele que faz o mal se lamenta. Ele se lamenta, fica aflito, percebendo a impureza de suas próprias ações.

16. Aqui ele se alegra, no além se alegra. Em ambos estados aquele que faz o bem se alegra. Ele se alegra, alegra muito, percebendo a pureza de suas próprias ações.

17. Aqui ele sofre, no além ele sofre. Em ambos estados aquele que faz o mal sofre. “Fiz o mal”, pensando assim, ele sofre. Além disso, ele sofre, tendo se colocado a um estado cheio de dores11.

18. Aqui ele é feliz, no além ele é feliz. Em ambos estados aquele que faz o bem é feliz. “Eu fiz o bem”, pensando assim ele é feliz. Além disso, ele é feliz, tendo se colocado num estado cheio de felicidade.

19. Apesar dele recitar muito os Textos Sagrados12, mas não age de acordo, esse homem descuidado é como o tangedor de gado que conta os bois dos outros. Ele não partilha dos frutos13 da Vida Sagrada14.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

KEFALH H OUK ESTI KEFALH



0! (1)

A Tríade Anterior Primitiva A Qual É

NÃO-DEUS

Nada é.

Nada virá a ser.

Nada não é.

A Primeira Tríade A Qual é DEUS

EU SOU.

Eu pronuncio A Palavra.

Eu ouço A Palavra.

O Abismo

A Palavra é quebrada.

Há Conhecimento.

Conhecimento é Relação.

Estes fragmentos são Criação.

A quebra manifesta Luz. (2)

A Segunda Tríade A Qual é DEUS

DEUS, o Pai e Mãe, é ocultado em Geração.

DEUS é ocultado em rodopiante energia da Natureza.

DEUS é manifestado em concentração: harmonia:

consideração: o Espelho do Sol e do Coração.

A Terceira tríade

Paciência: preparar.

Agito: fluir: flamejar.

Estabilidade: gerar.

A Décima Emanação

O mundo.

COMENTÁRIO (O Capítulo que não é um Capítulo)

Este capítulo, de número 0, corresponde ao Negativo, o qual é anterior a Kether no sistema Cabalístico.

Os pontos de interrogação e exclamação nas páginas anteriores são os dois outros véus.

O significado destes dois símbolos é inteiramente explicado em The Soldier and The Hunchback (O Soldado e o Corcunda).

Este capítulo começa com a letra O, seguida por um ponto de exclamação; sua referência à teogonia de Liber Legis é explicada na observação, mas é também referente a KTEIS PHALLOS e SPERMA, e é a exclamação de assombro ou êxtase, a qual é a natureza ultimal das coisas.

OBS.: (1) Silêncio. Nuit, O; Hadit; Ra-Hoor-Khuit, 1.

COMENTÁRIO (A Tríade Anterior Primitiva)

Esta é a Trindade Negativa; suas três declarações são, em último sentido, idênticas. Elas harmonizam Ser, Vir-a-Ser, e Não-Ser, os três modos possíveis de se conceber o universo.

A expressão Nada é (tecnicamente equivalente a Algo é) é totalmente explicada no ensaio Berashit.

O resto do capítulo segue o sistema Sephirótico da Cabala e consiste numa espécie de comento quintessencial sobre tal sistema.

Aqueles que estão familiarizados com esse sistema reconhecerão Kether, Chokmah e Binah na Primeira Tríade; Daath, no Abismo; Chesed, Geburah e Tiphareth na Segunda Tríade; Netzach, Hod e Yesod na Terceira Tríade; e Malkuth na Décima Emanação.

O capítulo pode, então, ser considerado o mais completo tratado sobre a existência já escrito.

OBS.: (2) O Inteiro, absorvendo tudo, é chamado Escuridão.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Alquimia


Aqui vou procurar passar, de uma forma resumida, em que consistiu, e consiste, a autêntica alquimia. A maioria dos dicionários contribuiu para reforçar uma série de erros comuns, recusando-a, por considerá-la uma predecessora imatura, empírica e especulativa da química, com o único objetivo de transmutar os metais comuns em ouro. Embora seja certo que a química se desenvolveu à partir da alquimia, estas duas ciências não tem quase nada em comum.
Enquanto que a química se ocupa dos fenômenos cientificamente verificáveis, a misteriosa doutrina da alquimia se refere a uma realidade escondida de ordem supeior que conforma a essência que está na base de todas as verdades e religiões. A perfeição dessa essência é denominada Absoluto, pode ser percebida e compreendida como a maior Beleza de todas as Belezas, o maior Amor de todos os Amores e o mais Alto do Alto, só é necessário que a consciência se altere profundamente e passe do nível normal de percepção cotidiana (o chumbo) a um nível sutil e elevado de percepção (o ouro), de maneira que cada objeto se perceba com a forma arquetípica perfeita, contida dentro do Absoluto.
A percepção da perfeição eterna do todo em todos os lugares é o que constitui a Redenção Universal. A ciência da alquimia, sagrada, secreta, antiga e profunda, também denominada a Arte Real ou Sacerdotal e Filosofia Hermética, esconde atrás de textos metafóricos e emblemas
enigmáticos, os caminhos para penetrar nos segredos mais profundos da matéria e da natureza, da vida e da morte e da unidade, da eternidade e do infinito. Começarei, portanto, nos fixando no que era realmente os verdadeiros alquimistas pretendem conseguir.
A alquimia não é simplesmente uma arte ou ciência que ensine a transmutar metais em ouro, mas sim, uma ciência sólida e verdadeira que ensina a conhecer o centro de todas as coisas, o que na linguagem divina significa o Espírito da Vida. Ao longo da história, os verdadeiros alquimistas , que menosprezavam as riquezas e os elogios mundanos, tentaram encontrar a Medicina Universal, a Panacéia. Essa Panacéia que, ao ser totalmente sublimada, se converte na Fonte da Juventude, a chave da Imortalidade, tanto em um sentido espiritual, como misteriosamente físico. Não só curaria todas as doenças, mas também poderia fazer com que o corpo rejuvenescesse e se convertesse finalmente em um corpo de Luz incorruptível.
O Adepto, o que conseguiu o dom de Deus, receberia então, a tríplice coroa da Iluminação: Onisciência, Onipotência e Gozo do Amor de Divino. Mas muitos são os chamados e muito poucos os escolhidos, deve-se reconhecer que dentro desta minoria muitos poucos conseguiram alcançar o último objetivo. Os que assim o fizeram, constituem a Irmandade da Luz e estão vivos. Mas apesar de serem enormes as dificuldades que apresentam as doutrinas ocultas do Ocidente e do Oriente, são muito maiores as que se apresentam ao verdadeiro estudioso da alquimia.
Especialmente se o que se pretende é ir além das análises superficiais que periodicamente vieram realizando os historiadores, psicólogos e outros eruditos. Se bem é certo que o estudo da alquimia através dos textos pode se tornar verdadeiramente desalentador, igual que o desesperançado estudioso pode descobrir nas pinturas alquímicas um caminho, repleto de maravilhas, para penetrar no coração da matéria. É que os alquimistas, através de suas imagens,
expressaram de uma forma ingeniosa e muito bela, coisas que nunca chegaram a escrever. Esta linguagem pictórica, onde todos os detalhes possuem um significado específico, exerce uma profunda fascinação sobre o observador sensível.
Essa fascinação se produz sempre, independente de que as pinturas sejam compreendidas. Se o leitor contempla atentamente estas imagens, ou seja, se vai mais além da superfície, comprovará que muitas vezes correspondem a uma dimensão atemporal que se encontra em nosso interior
mais profundo.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

O Segredo Terrível





Há verdades que devem ser para sempre misteriosas para os fracos de espírito e para os tolos.
E estas verdades podem ser-lhes ditas sem temor. Pois certamente jamais as compreenderão.

Que é um tolo? Um tolo é uma coisa mais absurda que uma besta. É o homem que quer chegar antes de ter andado.
É o homem que se julga senhor de tudo só porque chegou a alguma coisa.
É um matemático que despreza a poesia.
É um poeta que protesta contra os matemáticos.
É um pintor que diz que a teologia e a cabala são inépcias, porque nada entende de cabala e teologia.
É o ignorante que nega a ciência sem ter o trabalho de estudá-la.
É o homem que fala sem saber e afirma sem certeza. São os tolos que matam os homens de gênio.
Galileu foi condenado, não pela Igreja, mas por tolos que, infelizmente, pertenciam à Igreja.
A tolice é um animal feroz que tem a calma da inocência; assassina sem remorso.
O tolo é o urso da fábula de La Fontaine; esmaga a cabeça do seu amigo debaixo de uma pedra para caçar uma mosca; porém, diante da catástrofe, não procureis fazer-lhe confessar que errou. A tolice é inexorável e infalível como o inferno e a fatalidade, pois é sempre dirigida pelo magnetismo do mal.

O animal nunca é tolo enquanto age franca e naturalmente como animal, porém o homem ensina a tolice aos cães e aos burros sábios. O tolo é o animal que despreza o instinto e que aparenta inteligência.

O progresso existe para o animal; pode-se dominá-lo, prendê-lo, excitá-lo.
Porém, não existe para o tolo. Porque o tolo julga que nada tem a aprender. É ele que quer reger e educar aos outros e com ele nunca tereis razão. Ele vos escarnece à vista, dizendo que o que não compreende é radicalmente incompreensível. De fato, por que não o compreenderei eu? Ele vos dirá com admirável aprumo. E nada mais tendes a lhe responder. Dizer-lhe que é um tolo seria apenas fazer-lhe um insulto. Todos vêem, porém ele jamais o saberá.

Eis, pois, um já formidável arcano inacessível à maioria dos homens. Eis aí um segredo que jamais adivinharão e que seria inútil dizer-lhes: o segredo da tolice deles.

Sócrates bebe a cicuta, Aristides é proscrito, Jesus é crucificado, Aristófanes se ri de Sócrates e faz rirem os tolos de Atenas; um camponês se aborrece de ouvir dar a Aristides o nome de Justo e Renan escreve a vida de Jesus para o maior prazer dos tolos. É por causa do numero quase infinito dos tolos que a política é e será sempre a ciência da dissimulação e da mentira. Maquiavel ousou dizê-lo e foi ferido por uma reprovação bem legítima, pois, fingindo dar lições aos príncipes, ele traía a todos e os denunciava à desconfiança das multidões. Aqueles que somos obrigados a enganar não devemos prevenir.

É por causa das vis e tolas multidões que Jesus dizia aos seus discípulos: “Não lanceis pérolas aos porcos, pois eles as calcariam aos pés e se voltariam contra vós, procurando despedaçar-vos”.

Vós, portanto, que desejai tornar-vos poderosos em obras, nunca digais a alguém o vosso pensamento mais secreto. Nem mesmo o digais, e quase ousaria dizer-vos, escondei-o sobretudo à mulher a quem amais; lembrai-vos da história de Sansão e Dalila!

Desde que uma mulher julga conhecer a fundo seu marido, ela cessa de amá-lo. Quer governá-lo e dirigi-lo. Se resiste, ela o odeia; se cede, ela o despreza. Procura um outro homem para penetrar. A mulher tem sempre necessidade do desconhecido e do mistério e seu amor geralmente não é mais que uma insaciável curiosidade.

Porque são os confessores poderosos sobre a alma e quase sempre sobre o coração das mulheres? É que sabem todos os seus segredos, ao passo que as mulheres ignoram os dos confessores.

A franco-maçonaria é poderosa no mundo pelo seu terrível segredo tão prodigiosamente guardado, que os iniciados, mesmo os dos mais altos graus, não o sabem.

A religião católica se impõe às multidões por um segredo que o próprio papa não sabe. Este segredo é o dos mistérios. Os antigos gnósticos o sabiam como indica o nome deles, porém não souberam guardar silêncio. Quiseram vulgarizar a gnose; resultaram daí doutrinas ridículas que a Igreja teve razão de condenar. Porém, com eles infelizmente foi condenada a porta do santuário oculto e lançaram suas chaves no abismo.

É aí que os Joanitas e os Templários ousaram ir buscá-las com risco da danação eterna. Mereceriam eles, por isso, serem condenados no outro mundo? Tudo o que sabemos é que, neste mundo, os Templários foram queimados.
A doutrina secreta de Jesus era esta:

Deus tinha sido considerado como um senhor e o príncipe deste mundo era o mal; eu, que sou o filho de Deus, vos digo: não procuremos Deus no espaço; ele está nas nossas consciências e nos nossos corações. Meu pai e eu somos um e quero que vós e eu sejamos um. Amemo-nos uns aos outros como irmãos. Não tenhamos mais que um coração e uma alma. A lei religiosa é feita para o homem, e o homem não é feito para a lei. As prescrições legais estão submetidas ao livre arbítrio da nossa razão unida à fé. Crede no bem e o mal nada poderá sobre vós.

Quando vos reunirdes em meu nome, meu espírito estará no meio de vós. Ninguém dentre vós deve julgar-se mestre dos outros, porém todos devem respeitar a decisão da assembléia. Todo homem deve ser julgado conforme as suas obras e medido conforme a medida que fez para si. A consciência de cada homem constitui sua fé e a é do homem é o poder de Deus nele.

Se sois senhor de vós mesmo, a natureza vos obedecerá e governareis os outros. A fé dos justos é mais inabalável que as portas do inferno e sua esperança jamais será confundida.

Eu sou vós e vós sois eu, no espírito de caridade que é o nosso e que é Deus. Crede isto e vosso verbo será criador. Crede isto e fareis milagres. O mundo vos perseguirá e fareis a conquista do mundo.

As velhas sociedades fundadas sobre a mentira perecerão; um dia, o filho do homem pairará sobre as nuvens do céu, que são as trevas da idolatria, e fará um juízo definitivo sobre os vivos e os mortos.

Desejai a luz, pois ela se fará. Aspirai à justiça, pois o assassinato provoca o assassinato. É pela paciência e a brandura que vos tornareis senhor de vós mesmos e do mundo.

Entregai agora esta doutrina admirável aos comentários dos sofistas da decadência e polemistas da Idade Média, e daí vereis sair belas coisas. Se Jesus era filho de Deus, como o engendrou Deus? É ele da mesma substância de Deus ou de outra substância? A substância de Deus! Que eterno assunto de disputa para a ignorância presunçosa! Era ele uma pessoa divina ou uma pessoa humana? Tinha ele duas naturezas e duas vontades? Terríveis questões que merecem que as pessoas se excomunguem e se degolem! Jesus tinha uma só natureza e duas vontades, dizem uns; porém, não os escuteis, são hereges; então, duas naturezas e uma vontade? Não, duas vontades. Então, estava em oposição consigo mesmo? Não, porque estas duas vontades faziam uma só que se chama Teandrica. Oh! Oh, diante desta palavra não digamos mais nada e, outrossim, é preciso obedecer à Igreja que se tornou muito diferente da primitiva assembléia dos fiéis. A lei é feita para o homem, disse Jesus, porém o homem é feito para a Igreja, diz a Igreja, e é ela que impõe a lei. Deus sancionará todos os decretos da Igreja e condenará a todos vós, se ela decidir que sois todos ou quase todos condenados. Jesus diz que é preciso referir-se à assembléia, portanto, ela é infalível, é Deus, e se ela decide que dois e dois são cinco, dois e dois serão cinco.

Se ela diz que a terá é imóvel e que o sol gira, é proibido à Terra de girar. Ela vos dirá que Deus salva seus eleitos dando-lhes a graça eficaz e que os outros serão condenados por terem recebido somente graças suficientes, as quais, por causa do pecado original, bastavam em principio, porém não eram suficientes em fato. Que o papa salva e condena a quem quer, pois tem as chaves do céu e do inferno. Depois vêm os casuístas com seus molhos de chaves que não abrem, mas fecham com duas ou três voltas as portas dos compartimentos feitos na torre de Babel. Ó Rabelais, meu mestre! Só tu podes trazer a panacéia que convém a toda demência. Uma grande gargalhada! Dize-nos, enfim, a ultima palavra de tudo isso, e ensina-nos definitivamente se uma quimera que arrebenta fazendo ruído no vácuo pode se encher de novo e adquirir bandulho absorvendo a substância quiditativa e merífica das nossas segundas intenções?

Utrum chimera in vacuum bombinans possit concidere secundum intentiones. Outros tolos, outros comentários. Eis que vêm os adversários da Igreja a nos dizer: Deus está no homem, isto quer dizer que não há outro Deus senão a inteligência humana. Se o homem está acima da lei religiosa e esta lei embaraça o homem, porque não suprimiria ele a lei? Se Deus é nós e se nós somos todos irmãos, se ninguém tem o direito de chamar-se nosso senhor, por que obedecemos nós? A fé e a razão dos imbecis. Não acreditemos em nada e não nos submetamos a ninguém.

Pois seja! Isto é altivez. Porém, será necessário baterem-se uns contra os outros. Eis a guerra dos deuses e a exterminação dos homens! Ora! Miséria e tolice!... mais ainda, mais ainda, tolice, tolice e miséria!

“Pai, perdoa-lhes”, dizia Jesus, “porque não sabem o que fazem.”. Pessoas de bom senso, quem quer que sejais, acrescentarei eu, não os escuteis, porque não sabem o que dizem.

Mas então são inocentes, vai gritar um terrível menino. Silêncio, imprudente. Silêncio, em nome do céu, ou toda moral está perdida! Aliás vós vos enganais. Se fossem inocentes, seria permitido fazer como eles e quereríeis vós imitá-los? Crer tudo é uma tolice; a tolice não pode, pois, ser inocente. Se há circunstancias atenuantes, só a Deus pertence apreciá-las.

A nossa espécie é evidentemente defeituosa e, ao ouvir falar e ver agir a maioria dos homens,me parece que não têm bastante razão para serem seriamente responsáveis. Ouvi falar na Câmara dos homens que a França (o primeiro país do mundo) honrará com a sua confiança. Eis aqui o orador da oposição. Eis o campeão do ministério. Cada qual prova vitoriosamente que o outro nada entende dos negócios do Estado. A prova que B é um idiota, B prova que A é um saltimbanco. A quem dar crédito? Se fordes branco, acreditareis em A; se fordes vermelho, acreditareis em B. Porém, a verdade, meu Deus! A verdade! – A verdade é que A e B são charlatões e mentirosos.
Desde que existiu uma dúvida entre eles, provaram que um e outro nada valiam. Admiro a prova e admiro a ambos nesta demolição mútua. Encontra-se tudo nos livros, exceto o que ordinariamente o autor quis pôr neles. Riem-se da religião como uma impostura e mandam-se as crianças à igreja. Ostenta-se cinismo e tem-se superstição. O que se teme acima de tudo é o bom senso, é a verdade, é a razão.

A vaidade pueril e o sórdido interesse levam os homens pelo nariz, até a morte, este esquecimento definitivo e motejador supremo. O fundo da maior parte das almas é a vaidade. Ora, que é a vaidade? É o vácuo. Multiplicai os zeros quantas vezes quiserdes, sempre valerão zero; amontoai nadas e a nada chegareis, nada, nada. Nada, eis aí o programa da maioria dos homens!
E estes são os imortais! E estas almas, tão ridiculamente enganadoras e enganadas são imperecíveis! Para todos estes estouvados, a vida é uma armadilha suprema que encobre o inferno! Oh! Há certamente aqui um segredo terrível: é o da responsabilidade. O pai responde por seus filhos, o senhor pelos seus sevos e o homem inteligente pela multidão ignorante. A redenção se realiza por todos os homens superiores, a tolice sofre, porém só o espírito expia.

A dor do verme que é esmagado e da ostra que é despedaçada não são expiações.

Sabe, pois, ó tu que queres ser iniciado nos grandes mistérios, que fazes um pacto com a dor e afrontas o inferno! O abutre, o Prometeida, te olha, e as Fúrias dirigidas por Mercúrio preparam cunhas de madeiras e cravos. Vais ser sagrado, isto é, consagrado ao suplício. A humanidade tem necessidade dos teus tormentos.

O Cristo morreu jovem numa cruz e todos aqueles a quem iniciou foram mártires. Apolônio de Tiana morreu pelas torturas que sofreu nas prisões de Roma. Paracelso e Agripa levaram uma vida errante e morreram miseravelmente. Guilherme Postello morreu preso. São Germano e Cagliostro tiveram um fim misterioso e provavelmente trágico. Cedo ou tarde é preciso satisfazer ao pacto quer formal, quer tácito. É preciso libertar-se do imposto que a natureza estabeleceu sobre os milagres. É preciso ter uma luta final com o diabo, desde que se tomou a liberdade de ser Deus.

Eritis sicut dii scientes bonum et malum.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Caos & kundalini



A existência é energia, o movimento da energia em tantas maneiras e de tantas formas. No que se refere à existência humana, esta energia é energia Kundalini. Kundalini é a energia focalizada no corpo humano e na psiquê humana. Kundalini significa seu potencial total, sua total possibilidade.

Assim, primeiro de tudo, Kundalini não é uma coisa singular. É apenas a energia humana como tal. Mas comumente apenas uma parte dela está funcionando, somente uma parte muito diminuta. E mesmo esta parte não funciona harmonicamente; está em conflito. Isto é a miséria, a angústia. Se sua energia pode funcionar harmonicamente, então você sente prazer, mas se está em conflito ---- se é antagônica a si mesma ---- então você se sente miserável. E toda miséria significa que sua energia está em conflito e toda felicidade, todo deleite, significa que sua energia está em harmonia.

Para usar termos psicológicos, o inconsciente está sempre em conflito com o consciente. O consciente tentará dominá-lo, porque está sempre em perigo do inconsciente manifestar-se a si mesmo. O consciente está sob controle e o potencial, o inconsciente, não está.
Você pode manipular o consciente, mas com uma explosão do inconsciente você estará na insegurança. Você não será capaz de manejá-la. Este é o medo do consciente. Assim, este é outro conflito maior e mais profundo do que o primeiro: o conflito entre o consciente e o inconsciente,
entre a energia que se tornou manifestada e a enegia que quer se manifestar, a batalha entre a Ordem e o Caos.

O estado ordinário dos seres humanos é anti-Kundalini. A energia move-se do centro para a periferia, por que esta é a direção para a qual você está se movendo. Kundalini significa exatamente o oposto.

Forças, energias, movem-se da periferia ao centro. Kundalini significa a mudança desta situação absurda em direção a uma que tenha significado.

A ciência Kundalini é uma das mais sutis. As ciências físicas estão preocupadas também com as energias, mas com energias materiais, não a psíquica. O Yoga está preocupado também com a energia psíquica. É uma ciência do metafísico, daquilo que é transcendental.
Assim como a energia material, com a qual a ciência está preocupada, esta energia psíquica pode ser criativa ou destrutiva. Se não é usada, torna-se destrutiva; se é usada pode se tornar criativa.

Mas pode ser usada não criativamente. A maneira de torná-la criativa é primeiro entender que você não deveria realizar apenas parte de seu potencial. Se uma parte está realizada e a remanescente, a maior parte de seu potencial, está irrealizada, é uma situação que não pode ser
criativa.

O Todo deve ser realizado. Há métodos para realizar o potencial, para fazê-lo completo, para fazê-lo desperto. Ele está dormindo, exatamente como uma cobra, eis porque tem sido denominado de Kundalini: o poder da serpente, uma serpente adormecida. Se você já viu uma serpente dormindo, é exatamente como isso. Ela está enrolada; não há movimento de forma alguma. Mas uma serpente pode levantar-se perfeitamente sobre a cauda. Levanta-se por sua própria energia. Eis porque a serpente tem sido usada simbólicamente. Sua energia de vida também está enrolada e adormecida. Mas ela pode tornar-se ereta; pode tornar-se desperta, com seu potencial completo. Então você será transformado.

Vida e morte são apenas dois estados de energia. Vida significa energia funcionando e morte significa energia não funcionando. Vida significa energia desperta; morte significa energia que novamente ao sono. Assim de acordo com a Kundalini Yoga, você está, comumente, apenas parcialmente vivo. A parte da sua energia que se torna atualizada é a sua vida. A parte remanescente está tão adormecida com se não existisse.

Mas ela pode ser desperta. Há tantos caminhos para atingir este supremo. O indivíduo pode ou não falar de Kundalini; é imaterial. Kundalini é apenas uma palavra. Você pode usar outra palavra. Kundalini é a fonte original de a vida, mas você está seccionado dela de tantas formas. Então você converte-se num forasteiro de si mesmo e não sabe como retornar para casa. Este retorno é a ciência do Yoga. No que se refere à transformação humana, Kundalini Yoga é a ciência mais sutil.

Na era atual, os métodos para despertar a Kundalini diferem em muito dos métodos tradicionais; porque as pessoas dos tempos primitivos para as quais foram desenvolvidos eram diferentes. O homem moderno é um fenômeno muito novo. Nenhum método tradicional pode ser exatamente utilizado como existe, porque o homem moderno nunca existiu antes. De uma certa forma, pois, todos os métodos tradicionais tornaram-se irrelevantes. Por exemplo, o corpo mudou tanto. Não é tão natural agora como era nos tempos em que Patanjali desenvolveu seu sistema de Yoga. É absolutamente diferente. Está tão drogado, que nenhum método tradicional pode ser útil. No passado, não se permitia dar remédio aos Hatha Yogues, porque as alterações químicas não apenas apenas tornariam os métodos difíceis, como nocivos. Mas toda a atmosfera é artificial agora: o ar, a água, a sociedade, as condições de vida.Nada é natural. Você nasce na artificialidade; você se desenvolve nela. Os métodos tradicionais, pois, provar-se-ão nocivos, hoje. Eles terão de ser mudados, de acordo com a situação moderna. Outra coisa: a qualidade da mente mudou de maneira fundamental. Nos dias de Patanjali, o centro da personalidade humana não era o cérebro; era o coração. E antes disso, não era nem mesmo o coração. Era ainda mais embaixo, próximo ao umbigo. A Hatha Yoga desenvolveu métodos que foram úteis, significativos, para a pessoa cujo centro da personalidade era o umbigo. Então, o centro tornou-se o o coração.
Somente então a Bhakti Yoga pôde ser utilizada.

A Bhakti Yoga desenvolveu-se nas eras medievais, porque é quando centro da personalidade mudou do umbigo para o coração. Um método tem de mudar de acordo com a pessoa a quem se aplica. Agora, nem mesmo a Bhakti Yoga é relevante. O centro mudou do coração para o cérebro. Eis porque ensinamentos tais como os de Krishnamurti atraem. Nenhum método é necessário, nehuma técnica é necessária ---- apenas o entendimento. Mas se é apenas um entendimento verbal, apenas intelectual, nada muda, nada é transformado. Torna-se, então, um acúmulo desnecessário de conhecimento. Hoje é preferível usar os métodos do Caos em vez dos tradicionais; porque um método caótico é muito útil para empurrar o centro do cérebro para baixo. O centro não pode ser empurrado para baixo através de nenhum método sistemático, porque sistematização é o trabalho do cérebro. Mediante um método sistemático, o cérebro será reforçado; mais energia será acrescida a ele.
Através de métodos caóticos, o cérebro é anulado. Ele não tem nada para fazer. O método é tão caótico que o centro é automaticamente empurrado do cérebro para o coração. Se você praticar o método assistematicamente, caóticamente, seu centro move-se para o coração. Então há uma catarse. Uma catarse é necessária, porque seu coração está tão reprimido, devido ao cérebro. Seu cérebro apoderou-se tanto do seu ser, que o domina.

Primeiramente, pois, um método caótico é necessário para empurrar o centro da consciência do cérebro em direção ao coração. Então a catarse é necessária para descarregar o coração, para jogar fora as repressões, para tornar o coração aberto. Se o coração torna-se leve e descarregado, então centro da consciência é empurrado para mais baixo ainda;chega ao umbigo. O umbigo é a fonte da vitalidade, a fonte semente da qual tudo o mais vem: o corpo e a mente. A consciência deve ser empurrada para baixo à fonte, às raízes. Somente então há a possibilidade de transformação. Assim, deve-se usar os métodos caóticos para empurrar a consciência para baixo, desde o cérebro. Sempre que você está no Caos, o cérebro para de trabalhar. Os métodos caóticos são necessários para empurrar a consciência para as suas raízes, porque somente das raízes a transformação é possível.

Caso contrário, você continuará a verbalizar e não haverá transformação. Não é o suficiente apenas saber o que é certo. Você tem de transformar as raízes; de outra forma, você não mudará.

O Supremo não pode ser conhecido pelo cérebro, porque quando você está funcionando pelo cérebro, você está em conflito com as raízes das quais você veio. Você veio do umbigo e você morrerá por ele. O indivíduo tem de retornar as raízes. Mas retornar é difícil, árduo.
Kundalini Yoga concerne à energia da vida e a seu fluxo interno.
Concerne as técnicas para trazer o corpo e a mente a um ponto onde a transcendência é possível.
Então, tudo é mudado. O corpo torna-se diferente; a mente torna-se diferente; o viver torna-se diferente. É simplemente vida.

Os métodos tradicionais ainda atraem muitas pessoas porque são muito antigos e tantas pessoas alcançaram através deles no passado.

Eles podem ter se tornado irrelevantes para nós, mas não eram irrelevantes para Buda, Mahavira, Patanjali ou Krishna. Eles eram significativos, úteis. Os velhos métodos podem ser insignificantes agora, mas porque Buda alcançou através deles, eles atraem. Os tradicionalistas sentem: "Se Buda alcançou atarvés destes métodos, porque não eu?". Mas agora nós estamos numa situação totalmente diferente. Toda a atmosfera, toda a pensamentosfera mudou. Todo método é orgânico para uma situação particular, para uma mente particular, para um homem particular.

O moderno mudou tanto, é tão diferente do homem primitivo, que precisa de novos métodos, novas técnicas. Os métodos caóticos auxiliarão a mente moderna porque a mente moderna é, ela própria, caótica. Este caos, esta rebeldia do homem moderno, é de afto, uma rebelião de outras coisas: do corpo contra a mente e suas repressões.

Se falar-mos em termos yóguicos, podemos dizer que é a rebelião do centro do coração e do centro do umbigo contra o cérebro. Por causa da rebeldia da mente moderna, ela está propensa a ser branda em relação aos métodos soltos e caóticos.
A Meditação Caótica ajudará a mover o centro da consciência para longe do cérebro. Então a pessoa que a usa nunca será rebelde, porque a causa da rebeldia é satisfeita. Ela estará tranquila.
Assim, meditar no vácuo, mergulhar no Caos; não é apenas a salvação do indivíduo ou a sua transformação; pode também prover o preparo de terreno para a transformação de toda a sociedade, do ser humano por completo. A verdade é que, ou evoluímos para um nível mais alto de consciência ou regredimos. A escolha é nossa. Nós não podemos não-escolher. Pois até mesmo o não-escolher é uma sutil escolha.

Bhagwan Shree Rajneesh [Osho].

sábado, 7 de agosto de 2010

Uma Imagem Divina




A Crueldade tem Humano Coração,
E tem a Intolerância Humano Rosto;
O Terror a Divina Humana Forma,
O Secretismo Humano Traje posto.

O Humano Traje é Ferro forjado,
A Humana Forma, Forja incendiada,
O Humano Rosto, Fornalha bem selada,
Humano Coração, Abismo seu Esfaimado.

William Blake, in "Canções da Experiência"