segunda-feira, 18 de agosto de 2014

ALQUIMIA ROSACRUZ E A ORDEM HERMÉTICA DA AURORA DOURADA



Muitas pessoas, quando pensam na Ordem Hermética da Aurora Dourada (Golden Dawn), imediatamente pensam em "Magia" ou "Magia(k)" (Magick). Outros se surpreenderiam ao inteirar-se que a Golden Dawn não é, nem tem sido jamais uma Ordem "mágica". É na troca com a Ordem Interna por detrás da Golden Dawn, que a Ordo Rosae Rubeae et Aureae Crucis (R.R. e A.C.) desde o principio tem sido uma depositaria da tradição espiritual rosacruz. Ademais, aquilo que hoje tem sido popularizado como "Magia" ou "Magia(k)" é, na realidade, um desdobramento daquele aspecto da tradição Rosacruz conhecido como "Teurgia".


Antes da fundação da Ordem Interna por detrás da Golden Dawn, a Teurgia nunca antes havia sido o foco principal da tradição espiritual Rosacruz, sem a Alquimia. De resto, a tradição Rosacruz mesma cresceu desde a tradição Alquímica. O verdadeiro lugar da Teurgia dentro da tradição Rosacruz tem sido sempre como disciplina complementar a Alquimia.


A Alquimia era parte do curriculum estudado pelos membros da Ordem Hermética da Golden Dawn; porém, exceto algumas definições muito concisas dadas nas "Knowledge Lectures" sobre vários termos usados na Alquimia, muito pouco tem sido verdadeiramente ensinado sobre Alquimia na Ordem Externa. Na Segunda Ordem da R.R. e A.C. havia somente um curto estudo chamado "Alquimia" escrito em 1890 pelo Frater Sapere Aude (Dr. Wynn Westcott) e registrado como "Rol de Vuelo Nro. VII". O único documento referente a alquimia prática era um documento Z.2 disponível para membros avançados da Ordem Interna. Este documento Z.2 sobre Alquimia é bastante valioso e sumamente interessante, assim trataremos de analisá-lo na segunda parte deste escrito.


Bem agora, no curriculum estudado pelos membros da antiga Golden Dawn, devemos também incluir todos os livros editados por Wynn Westcott em sua Coletânea Hermética porque era considerada como o verdadeiro curriculum de estudo para todos os membros dedicados da Ordem Externa. De resto, esta coleção de livros constituía uma muito valiosa fonte de informação sobre os rituais da Ordem Externa. Entre os tratados publicados na Coletânea Hermética, havia vários sobre Alquimia; eram os seguintes:


- Vol I. Arcanum Hermético por Jean d'Espagnet com notas de Sapere Aude.


- Vol III. Uma breve Investigação sobre a Arte Hermético por "Um Amante de Philaletes" com uma introdução a alquimia e notas por S.S.D.D. (Florence Farr).


- Vol IV. Aesch-Metzareph ou Fogo Purificador da Kabbalah de Rosenroth (traduzido por "Um Amante de Philaletes" - 1714 - com notas por S.A.)


- Vol VII. Euphrates ou as Águas do Este por Eugenius Philalethes (Thomas Vaughan) com um comentário de S.S.D.D. (Florence Farr).


As notas e comentários do Frater S.A. e da Sóror S.S.D.D. sobre estes tratados alquímicos refletem um profundo conhecimento do tema. Não devemos esquecer também que os membros da Golden Dawn podiam consultar a famosa "Biblioteca Hermética Westcott" fundada em 1891 para a conveniência de sua investigação esotérica. Esta Biblioteca Hermética continha vários livros muito pouco conhecidos sobre a Alquimia (em Latim, Alemão, Francês e Inglês) dos quais forneço a lista completa:


- Abraham Eleazar: Uma antiga Obra alquímica, traduzida para o Inglês por W.S. Hunter de um manuscrito alemão.


- Alquimia - 25 tratados alquímicos em Latim.


- Alquimia - Um relato de alguns experimentos sobre mercúrio, prata e ouro em 1782 por J. Price (Oxford, 1782).


- Alquimia - A Ciência do Espiritual e do Material, por Sapere Aude (W. Wynn Westcott) - Londres, 1893.


- Becher - Tripus Hermeticus Fatidicus (três tratados sobre Alquimia) - 1689.


- Borrichius - Hermetis Aegyptiourum et chemicorum sapientia (Hafniae, 1674).


- Bourguet - Lettres philosophiques sur la formation des sels et des cristaux (Amsterdam, 1729).


- Chambon - Traité des métaux et des minéraux (Paris, 1714).


- Combachius - Sal Lumen et Spiritus Mundi Philosophici ou o Amanhecer do Descobrimento (Londres, 1651).


- Flamel, Nicolas - As Figuras Hieroglíficas de 1624 (editado por Wynn Westcott).


- Geber - Seus tratados sobre Alquimia em Latim ilustrados (1682).


- Hitchcock - Comentários sobre a Alquimia e os Alquimistas (Nova York, 1865).


- Kendall - Um apêndice ao Alquimista ignorante.


- Kirwan - Elementos de mineralogia (Londres, 1784).


- Maier Michael - Arcana Arcanissima - Cantilene Intellectuales de Phoenice redivivo - Scrutinum Chymicum (1687) - Symbolica Aureae Mensae (1617).


- Museum Hermeticum (21 tratados alquímicos).


- Paracelsus - Compendio (1567).


- Philalethes Eirénée - Kern der Alchemie (Leipzig, 1685).


- Philalethes Eugenius - Lumen de Lumine ou uma Nova Luz Mágica e o Segundo Lavado (Londres, 1651).


- Resenkreutz Christian - Chymische Hochzeit (Strasburg, 1616).


- Salmon Gillaume - Dictionaire Hermetique (Paris, 1695).


- Salmon - Poligráficos (contém artigos valiosos sobre Alquimia).


- Stuart de Chevalier - Discours philosophiques sur les 3 Principes Alchimiques (Paris, 1781).


- Valentine Basile - O Carro Triunfante do Antimônioi


Como demonstra esta lista, o Dr. Westcott estava profundamente interessado e a Alquimia; de resto, um exame de seu Mapa dos Céus mostra vários graus simbólicos egípcios conectados com a alquimia e a medicina. Os membros da Ordem podiam também ler proveitosamente todos os artigos escritos pelo erudito Arthur E. Waite (Frater Sacramentum Regis) sobre alquimia, por exemplo:


- "Que é a Alquimia?" (no Unknown World Review - 1894)


- "Thomas Vaughan e sua Lúmen de Lumine" (uma introdução a edição de Lúmen de Lumine ou Uma Nova Luz Mágica por Thomas Vaughan - 1910).


- "Um Apocalipse Hermético" (no Occult Review, Vol 17, 1913).


- "Alquimia Cabalística" (no Journal of the Alchemical Society, Vol 2, 1914).


Todos esses artigos foram editados novamente por R. A. Gilbert em seu livro "Escritos Herméticos de A. E. Waite, os escritos desconhecidos de um místico moderno" (Roots of the Golden Dawn Series, Aquarian Press 1987). Mais que nada, Waite escreveu vários estudos interessantes sobre alquimia, tais como:


- Vidas de Filósofos Alquimistas (1888).


- A Tradição Secreta na Alquimia (1926).


- Raymond Lola (1922).


Waite editou e traduziu também vários tratados alquímicos clássicos:


- Os Escritos Mágicos de Thomas Vaughan (1888).


- Um Léxico de Alquimia ou Dicionário Alquímico por Martinus Rulandus.


- O Museu Hermético Restaurado e Aumentado (1893)


- Um Dourado e Bendito Cofre de Maravilhas da Natureza por Benedictus Figulus.


- O Carro Triunfal do Antimônio por Basilio Valentinus (1893)


- Collectanea Chemica (1893)


- Os Escritos Alquímicos de Edward Kelly (1893)


- Os Escritos Herméticos e Alquímicos de Paracelsus (1894)


- Turba Philosophorum, ou Assembléia dos Sábios (1896)


- As Obras de Thomas Vaughan (1919)


Entre os membros da Golden Dawn, Westcott e Waite não eram os únicos interessados na Alquimia: também estavam Mathers, Florence Farr, William Alexander Ayton, Frederick Leigh Gardner, Dr. Felkin, Dr. Bullock, Allan Bennett e Julian Baker. Entre eles, sabemos que Westcott, Ayton, Felkin, Bennett e Baker podiam praticar a alquimia porque possuíam o conhecimento necessário da química devido as suas profissões (eram químicos ou médicos).

Por Jean-Pascal Ruggiu




domingo, 23 de setembro de 2012

Caos & kundalini




Por:
Bhagwan Shree Rajneesh [Osho].

A existência é energia, o movimento da energia em tantas maneiras e
de tantas formas. No que se refere à existência humana, esta energia
é energia Kundalini. Kundalini é a energia focalizada no corpo humano
e na psiquê humana. Kundalini significa seu potencial total, sua total
possibilidade.
Assim, primeiro de tudo, Kundalini não é uma coisa singular. É
apenas a energia humana como tal. Mas comumente apenas uma parte dela
está funcionando, somente uma parte muito diminuta. E mesmo esta parte
não funciona harmonicamente; está em conflito. Isto é a miséria, a
angústia. Se sua energia pode funcionar harmonicamente, então você
sente prazer, mas se está em conflito ---- se é antagônica a si mesma
---- então você se sente miserável. E toda miséria significa que sua
energia está em conflito e toda felicidade, todo deleite, significa
que sua energia está em harmonia.

Para usar termos psicológicos, o inconsciente está sempre em
conflito com o consciente. O consciente tentará dominá-lo, porque está
sempre em perigo do inconsciente manifestar-se a si mesmo. O
consciente está sob controle e o potencial, o inconsciente, não está.
Você pode manipular o consciente, mas com uma explosão do inconsciente
você estará na insegurança. Você não será capaz de manejá-la. Este é o
medo do consciente. Assim, este é outro conflito maior e mais profundo
do que o primeiro: o conflito entre o consciente e o inconsciente,
entre a energia que se tornou
manifestada e a enegia que quer se manifestar, a batalha entre a Ordem
e o Caos.

O estado ordinário dos seres humanos é anti-Kundalini. A energia
move-se do centro para a periferia, por que esta é a direção para a
qual você está se movendo. Kundalini significa exatamente o oposto.
Forças, energias, movem-se da periferia ao centro. Kundalini significa
a mudança desta situação absurda em direção a uma que tenha significado.
A ciência Kundalini é uma das mais sutis. As ciências físicas estão
preocupadas também com as energias, mas com energias materiais, não a
psíquica. O Yoga está preocupado também com a energia psíquica. É uma
ciência do metafísico, daquilo que é transcendental.
Assim como a energia material, com a qual a ciência está
preocupada, esta energia psíquica pode ser criativa ou destrutiva. Se
não é usada, torna-se destrutiva; se é usada pode se tornar criativa.
Mas pode ser usada não criativamente. A maneira de torná-la criativa é
primeiro entender que você não deveria realizar apenas parte de seu
potencial. Se uma parte está realizada e a remanescente, a maior parte
de seu potencial, está irrealizada, é uma situação que não pode ser
criativa.

O Todo deve ser realizado. Há métodos para realizar o potencial,
para fazê-lo completo, para fazê-lo desperto. Ele está dormindo,
exatamente como uma cobra, eis porque tem sido denominado de
Kundalini: o poder da serpente, uma serpente adormecida. Se você já
viu uma serpente dormindo, é exatamente como isso. Ela está enrolada;
não há movimento de forma alguma. Mas uma serpente pode levantar-se
perfeitamente sobre a cauda. Levanta-se por sua própria energia. Eis
porque a serpente tem sido usada simbólicamente. Sua energia de vida
também está enrolada e adormecida. Mas ela pode tornar-se ereta; pode
tornar-se desperta, com seu potencial completo. Então você será
transformado.
Vida e morte são apenas dois estados de energia. Vida significa
energia funcionando e morte significa energia não funcionando. Vida
significa energia desperta; morte significa energia que novamente ao
sono. Assim de acordo com a Kundalini Yoga, você está, comumente,
apenas parcialmente vivo. A parte da sua energia que se torna
atualizada é a sua vida. A parte remanescente está tão adormecida com
se não existisse.
Mas ela pode ser desperta. Há tantos caminhos para atingir este
supremo. O indivíduo pode ou não falar de Kundalini; é imaterial.
Kundalini é apenas uma palavra. Você pode usar outra palavra.
Kundalini é a fonte original de a vida, mas você está seccionado dela
de tantas formas. Então você converte-se num forasteiro de si mesmo e
não sabe como retornar para casa. Este retorno é a ciência do Yoga. No
que se refere à transformação humana, Kundalini Yoga é a ciência mais
sutil.

terça-feira, 12 de junho de 2012

A Mente

:: Elisabeth Cavalcante ::
Todos aqueles que se iniciam no caminho do autoconhecimento e chegam à prática da meditação sabem que a mente é o principal obstáculo nesta jornada.
Rapidamente descobrem que quanto mais lutam para silenciá-la, mais forte a torrente de pensamentos se apresenta. Alguns mestres do Oriente costumam dizer que a mente é um cavalo selvagem, impossível de ser domado, pois, quanto mais tentamos ter domínio sobre ele, mais ele se rebela e foge de nosso controle. Como fazer, então, para conseguir que o fluxo de pensamentos silencie? A mente é especialista em truques, por essa razão precisamos recorrer ao mesmo método para fazer com que ela deixe de estar no comando.

O segredo é parar de dar energia à mente, e isto só é possível quando mudamos o foco de nossa atenção. Ao invés de nos identificarmos com os pensamentos, emitindo julgamentos sobre eles, devemos assumir a postura do observador sentado à beira de uma estrada, olhando os automóveis que passam. Ele está ali, simplesmente, sem qualquer identificação com o que vê.

Este exercício, quando praticado continuamente, fará com que os pensamentos se tornem cada vez mais escassos, até que desapareçam e fique em seu lugar apenas o silêncio, o vazio. É neste momento que uma nova dimensão de nosso ser começa a ser tocada, sem que seja necessário qualquer esforço ou luta. O relaxamento total e a ausência de expectativas e desejos é o segredo para que adentremos na dimensão da consciência.

Aos poucos, este estado de paz se tornará cada vez mais constante e os insights intuitivos passarão a fazer parte de nosso cotidiano, algo natural, como sempre deveria ter sido. A única maneira de se libertar do sofrimento, é entender que a mente e o ego são aspectos de nossa natureza sobre os quais precisamos ter total domínio, e não o contrário. Mas isto só será possível se nos dispusermos a assumir a posição de mestres de nós mesmos, sem depender de mais ninguém.

"...Seus pensamentos têm de compreender uma única coisa: que você não está interessado neles. No momento em que você tiver firmado isso, você terá alcançado uma grande vitória.

Simplesmente observe. Não diga nada aos pensamentos. Não julgue. Não condene. Não os mande embora. Deixe-os fazer o que quer que estejam fazendo, qualquer ginástica - deixe-os fazerem; você simplesmente observa e desfruta. Trata-se de um belo filme. E você se surpreenderá: simplesmente observando, chega um momento em que os pensamentos não mais estarão presentes, não haverá nada para observar.

Essa é a porta que tenho chamado de nada, de vazio. Por essa porta entra o seu ser verdadeiro, o mestre. E esse mestre é absolutamente positivo; em suas mãos, tudo se transforma em ouro.

...Assim, você não pode fazer nada diretamente com a mente. Você terá que dar umas voltinhas; primeiro você tem de trazer o mestre para dentro. Está faltando o mestre e, durante séculos, o serviçal pensou que ele era o mestre. Simplesmente, deixe o mestre entrar e o serviçal, imediatamente, compreenderá. Basta a presença do mestre e o serviçal cai aos pés do mestre e espera por alguma ordem, qualquer coisa que o mestre queira que seja feito - ele está pronto. A mente é um instrumento tremendamente poderoso. Nenhum computador é tão poderoso quanto a mente do homem - não pode ser, porque ele é feito pela mente do homem. Nada pode ser, porque tudo é feito pela mente humana. Uma única mente humana tem tão imensa capacidade: num pequeno crânio, um cérebro tão pequeno, pode conter todas as informações contidas em todas as bibliotecas da Terra - e essa informação não é tão pequena assim.

...Mas o resultado desse imenso presente ao homem não tem sido benéfico - porque o mestre está ausente e o serviçal está comandando o espetáculo. O resultado é guerras, violência, assassinatos, estupros. O homem está vivendo num pesadelo, e o único meio de sair disso é trazer o mestre para dentro.
Ele está aí, você tem apenas de puxá-lo para si. E a observação é a chave: simplesmente observe a mente. No momento em que não houver nenhum pensamento, imediatamente, você será capaz de se ver - não enquanto mente, mas como algo além, algo transcendental à mente. E uma vez que você esteja sintonizado com o transcendental, então, a mente está em suas mãos. Ela pode ser imensamente criativa. Ela pode fazer, desta própria Terra, o Paraíso. Não há nenhuma necessidade de qualquer Paraíso a ser procurado lá em cima nas nuvens, assim como não há necessidade de se procurar por qualquer inferno - porque o inferno nós já o criamos. Estamos vivendo nele.

...As pessoas ainda continuam pensando que o inferno está em algum outro lugar, debaixo da Terra - e você está vivendo nele... Você pode transformar este inferno em céu se a sua mente puder estar sob a direção do mestre, de sua própria natureza. E trata-se de um processo simples...
Mas não tente diretamente com a mente, caso contrário, você estará entrando numa encrenca. A pessoa pode até entrar na insanidade... Não toque na mente. Primeiramente, apenas descubra onde está o mestre... Deixe o mestre estar presente e a mente funciona como um serviçal, muito perfeitamente.

No Oriente, nós fizemos isso. Gautama, O Buda, poderia ter-se tornado Albert Einstein sem nenhuma dificuldade; ele era um gênio muito maior. Mas toda a sua vida foi devotada à transformação das pessoas, para dentro da consciência, para dentro da compaixão, para dentro do amor, para dentro da bem-aventurança".
OSHO - The Osho Upanishad.

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Fugir da dor: um processo que causa ainda mais dor

por Andre Lima - andre@eftbr.com.br Nós, seres humanos, guardamos vários tipos de sentimentos desconfortáveis que ficam acumulados no nosso inconsciente. Mesmo quando estamos atravessando uma ótima fase, por mais que pareça estamos felizes, lá dentro de nós, existem medos e sentimentos ocultos que ficam temporariamente adormecidos: medo de envelhecer, medo de perder alguém, preocupação com os filhos, medo de perder o emprego, preocupações com uma causa na justiça... Além disso, temos aqueles sentimentos guardados do passado: uma mágoa de alguém, um culpa por ter feito algo, alguma rejeição sofrida na infância, a tristeza de uma perda e muitos outros sentimentos. Guardamos uma nuvem de negatividade latente dentro de nós. Para que possamos sobreviver no dia-a-dia, desenvolvemos um mecanismo de ocultar os sentimentos, reprimi-los, não senti-los. É a maneira com a qual lidamos com essas coisas tão incômodas que guardamos. Imagine se durante o seu dia viesse à tona todos os seus pensamentos e sentimentos de medo e outras emoções negativas que você guarda? Para que isso não ocorra damos um jeito de não entrar em contato direto com essa negatividade. Entretanto, mesmo não entrando em contato direto com ela, a negatividade está lá dentro de nós, guardadinha, causando-nos mal-estar. Aquilo que chamamos comumente de "ansiedade" é o sintoma dessa nuvem negativa acumulada dentro de nós. Podemos dizer, então, que a ansiedade é o acúmulo reprimido dessas emoções desagradáveis que não queremos sentir. A nossa tentativa de esquecer ou de não sentir é apenas uma ilusão. Se está lá dentro guardado, mesmo que você nunca pense ou fale sobre aquilo, esta energia provocará sofrimento de qualquer maneira. Imagine, então, uma pessoa que se sentiu rejeitada pelo término de um relacionamento. O sofrimento é intenso no início.Temos que entrar em contato com aquilo em algum nível. Quanto mais profundamente sentirmos toda aquela emoção ruim, mais rapidamente ela será dissolvida. Mas damos sempre um jeitinho de não entrar em contato 100% para evitar sofrimento. Um pedaço daquela rejeição é varrido para os bastidores do inconsciente e soma com outros sentimentos que também foram parar lá. E às vezes ficam por ali até o dia da nossa morte. Usamos vários métodos para não sentir as emoções. Podemos fingir que não estamos sentindo tanto assim e convencer os outros e a nós mesmos que estamos bem, quando na verdade não estamos. A maioria de nós faz isso em algum momento, em alguma profundidade. Outra forma de não sentir é ir buscar um prazer imediato para anestesiar temporariamente o incômodo: comer uma coisa bem gostosa, fumar, beber, drogar-se, fazer sexo, ocupar a mente com algum vício qualquer (trabalhar em excesso, jogar, comprar, ver televisão...). Tudo isso nos faz sentir melhor, mas apenas de forma temporária. Aquilo que está lá dentro não foi devidamente tratado e vai continuar a nos perturbar causando mais ansiedade. Aí, entramos em um círculo vicioso lançando mão novamente dos mecanismos de fuga. Esse processo de fuga acontece às vezes de forma "inocente". Estamos em casa e aí dá uma vontade de comer alguma coisa. Se pararmos para analisar, muitas vezes não é fome, nosso corpo não está precisando de alimento. É que surgiu um desconforto, uma inquietação. São as dores guardadas que não entramos em contato. E aí não olhamos para isso e ativamos imediatamente o mecanismo de fuga, e assim surge uma vontade de comer algo para sentir prazer e anestesiar aquela sensação ruim, pelo menos por alguns minutos. Nesse momento, talvez tenha surgido uma sensação de solidão, medo, ou alguma culpa, enfim, pode ser qualquer coisa, vai variar bastante de um indivíduo para o outro. Ao tentarmos fugir da dor, criamos cada vez mais dor. Ao não querer entrar em contato com emoções negativas, elas crescem. É a partir dessa repressão que surgem problemas cada vez mais graves: obesidade, drogas, compulsões, ansiedade generalizada, depressão, pânico... De forma geral, os homens têm mais dificuldade em se permitir sentir as emoções. A mulher se sente mais livre para se expressar emocionalmente e assim pode se curar mais facilmente. Nos cursos de *EFT, a vasta maioria do público é feminino. O público masculino representa talvez menos de 20% dos frequentadores. O mesmo ocorre na busca por trabalhos terapêuticos que lidam com a parte emocional. Já dizia Renato Russo: "e toda dor vem do desejo de não sentirmos dor". Quando resolvemos entrar em contato direto com os pensamentos e sentimentos negativos, sejam eles quais forem, veremos que ele são menos aterrorizantes do que pareciam. É preciso ter cuidado para entrar em contato com as emoções de forma lúcida, observando-as para não ser sugado por elas e as alimentar. O aprendizado de como observar de forma lúcida é muito particular, difícil de ensinar e exige prática. Mas basicamente, é preciso reconhecer que toda aquela negatividade é uma nuvem de energia negativa. Não importa o quanto possa parecer real e doloroso, é apenas uma nuvem de energia. Ao reconhecermos isso devemos entrar corajosamente nessa nuvem, permitindo-se sentir todos as sensações desagradáveis e pensamentos que surgem. Sinta, e observe. Esse contato direito faz com a energia se dissolva. Para acelerar dezenas ou mesmo centenas de vezes esse processo de dissolver a energia, utilize a EFT neste momento. Ao aplicar os toques nos meridianos o sofrimento vai sendo liberado de uma forma infinitamente mais rápida. Os processos terapêuticos usam ferramentas para acelerar e encurtar a dissolução da negatividade. E a EFT é um método que dá resultados bem acima da média e torna o sofrimento muito mais breve. No inicio da aplicação da técnica, usamos a chamada "frase de preparação" que diz: "Mesmo que eu sinta essa................. (preencha os pontinhos com o nome da emoção: medo, tristeza, raiva, rejeição, culpa...) eu me aceito profunda e completamente". Essa frase nos ajuda a entrar em contato com a emoção sem nos perdermos. Depois, com a estimulação dos meridianos, a energia vai sendo dissolvida. Podemos utilizar a frase de preparação no nosso dia-a-dia, a qualquer momento, sempre que surgir algo negativo em nossos pensamentos e sentimentos para que possamos entrar em contato de forma mais lúcida e não reprimir a negatividade e nem se deixar ser totalmente sugado por ela. Experimente fazer isso. É provável que você sinta a emoção ficar mais fácil e menos intensa. Ao repetirmos essa frase é como se acordássemos para o fato de que somos muito mais do que as emoções que passam por nós, que elas são apenas nuvens passageiras que logo vão embora.

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Buda - Da noite dos tempos para a Consciência Real




O Buda* não surgiu da noite para o dia. Pelo contrário, Ele emergiu da noite dos tempos - das trevas do ego para a iluminação.
Assim como a flor de lótus, que, mesmo tendo suas raízes no lodo, projeta-se para o alto, para além de seus limites, buscando a luz do sol acima da superfície da água, o Buda transcendeu os seus limites e encontrou a Luz.
Ou, melhor dizendo, reencontrou-a em si mesmo.
Contudo, até chegar ao despertar da Consciência Real, Ele ralou muito e atravessou diversos conflitos ao longo da travessia das vidas seriadas, na Terra e também em outros orbes e planos da Vida Universal.
Ah, quanta dor Ele sentiu na jornada de sua ascensão consciencial...
E, talvez, em algum momento, Ele também tenha duvidado de si mesmo e pensado em desistir de tudo.
Sim, até mesmo um Buda um dia chorou...
Mas, de alguma forma, Ele escutou seu coração e persistiu em sua ascese consciencial - e dentro d'Ele brotou uma firmeza de propósito - o chamado da Paz.
E Ele continuou caminhando na senda da Luz, mesmo acossado por diversas pressões, do mundo dos homens, do mundo espiritual, e do seu próprio ego.
Ah, Ele se tornou um Buda porque caminhou... E a senda era dentro d'Ele mesmo.
E quando Ele reencontrou a Luz, simplesmente aceitou-a.
E não se sabe se Ela o abraçou, ou Ele a Ela... Porque, na fusão do homem com a Luz, desaparece toda noção de diferença e só permanece o Estado Búdico do Ser.
Certa vez, um mentor extrafísico** me disse que, no momento de sua iluminação, embaixo da árvore Bo, Sidarta Gautama mais parecia um sol.
Houve uma explosão de Luz serena e silenciosa em seu coração, e a energia suavemente ascendeu até o topo de sua cabeça, onde o lótus das mil pétalas*** floresceu no despertar da Consciência Real.
Segundo ele, a aura**** do Buda irradiou puro Amor, e encheu a aura do planeta de Paz silenciosa. O mundo não percebeu, mas os devas***** registraram esse momento e, até hoje, eles ensinam que, assim como o despontar da Luz da aurora na linha do horizonte não faz barulho algum, o despertar da Consciência Real também não tem som.
Ou seja, a ação da Luz é silenciosa e serena.
Portanto, o trabalho do Buda também é silencioso.
Invisivelmente, Ele abraça a humanidade, e a aura planetária se torna mais brilhante. E, felizes são aqueles que sentem o Seu abraço sutil.
Sim, felizes, porque sabem que, para além das luzes ilusórias do mundo, há uma Luz que brilha mais do que bilhões de sóis juntos - e que é a essência da Alma.
Essa é a Luz do coração.

P.S.:
Ah, não faz barulho!
É Amor sereno...
E inspira o despertar da Consciência Real.
É pura Luz...
E faz o homem tornar-se Buda!
E quem, em seu coração, compreende isso, realmente compreende.

:: Wagner Borges ::

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Hino a Pã



ephrix erõti periarchés d' aneptoman
iõ iõ pan pan
õ pan pan aliplankte, kyllanias chionoktypoi
petraias apo deirados phanéth, õ
theõn choropoi anax
SOPH. AJ.









Vibra do cio subtil da luz,
Meu homem e afã
Vem turbulento da noite a flux
De Pã! Iô Pã!
Iô Pã! Iô Pã! Do mar de além
Vem da Sicília e da Arcádia vem!
Vem como Baco, com fauno e fera
E ninfa e sátiro à tua beira,
Num asno lácteo, do mar sem fim,
A mim, a mim!
Vem com Apolo, nupcial na brisa
(Pegureira e pitonisa),
Vem com Artêmis, leve e estranha,
E a coxa branca, Deus lindo, banha
Ao luar do bosque, em marmóreo monte,
Manhã malhada da àmbrea fonte!
Mergulha o roxo da prece ardente
No ádito rubro, no laço quente,
A alma que aterra em olhos de azul
O ver errar teu capricho exul
No bosque enredo, nos nás que espalma
A árvore viva que é espírito e alma
E corpo e mente - do mar sem fim
(Iô Pã! Iô Pã!),
Diabo ou deus, vem a mim, a mim!
Meu homem e afã!
Vem com trombeta estridente e fina
Pela colina!
Vem com tambor a rufar à beira
Da primavera!
Com frautas e avenas vem sem conto!
Não estou eu pronto?
Eu, que espero e me estorço e luto
Com ar sem ramos onde não nutro
Meu corpo, lasso do abraço em vão,
Áspide aguda, forte leão -
Vem, está fazia
Minha carne, fria
Do cio sozinho da demonia.
À espada corta o que ata e dói,
Ó Tudo-Cria, Tudo-Destrói!
Dá-me o sinal do Olho Aberto,
E da coxa áspera o toque erecto,
Ó Pã! Iô Pã!
Iô Pã! Iô Pã Pã! Pã Pã! Pã.,
Sou homem e afã:
Faze o teu querer sem vontade vã,
Deus grande! Meu Pã!
Iô Pã! Iô Pã! Despertei na dobra
Do aperto da cobra.
A águia rasga com garra e fauce;
Os deuses vão-se;
As feras vêm. Iô Pã! A matado,
Vou no corno levado
Do Unicornado.
Sou Pã! Iô Pã! Iô Pã Pã! Pã!
Sou teu, teu homem e teu afã,
Cabra das tuas, ouro, deus, clara
Carne em teu osso, flor na tua vara.
Com patas de aço os rochedos roço
De solstício severo a equinócio.
E raivo, e rasgo, e roussando fremo,
Sempiterno, mundo sem termo,
Homem, homúnculo, ménade, afã,
Na força de Pã.
Iô Pã! Iô Pã Pã! Pã!

Fonte

Traduzido por Fernando Pessoa

sexta-feira, 13 de maio de 2011


O crescimento interior é o maior desafio da vida. Por essa razão, muitos preferem continuar no estágio imaturo, apoiados em muletas, que tanto podem ser outros seres humanos, como as ilusões em que a mente lhes faz acreditar.

Uma das principais a que se apegam, é a de que não possuem a força necessária para se transformarem, pois são fracos e incapazes. Muitas vezes estas foram frases ouvidas durante o seu desenvolvimento e, por essa razão se transformaram em crenças, que foram incorporadas como verdades absolutas.

Quebrar estes condicionamentos a que todos fomos expostos, não é fácil, pois exige muita determinação e coragem. E, principalmente, uma disposição inabalável de ser feliz.

Se você acredita plenamente que tem este direito, e o considera algo que ninguém pode lhe roubar, certamente terá toda a energia necessária para conquistá-lo.

Muitas pessoas acreditam que felicidade é uma espécie de troféu, que somente alguns vieram qualificados para conquistar. Mas, é possível, sim, para qualquer ser humano, vivenciar um estado interior de alegria, independente dos julgamentos exteriores.

Ele precisa direcionar o seu olhar em outra direção, para dentro de si, onde encontrará a fonte original de harmonia e paz que todos trouxemos quando chegamos ao mundo.

Ela está sempre presente, mas é sufocada pelas falsas verdades que nos foram impostas e que nós, inconscientemente, assimilamos. Agora é preciso que façamos o caminho de volta, libertando-nos dos condicionamentos para que possamos encontrar nossa face original.

"Depende de cada pessoa o que ela gostaria de fazer com a sua vida. A vida não é preordenada. Ela é uma oportunidade. O que você fará com ela depende de você. Essa liberdade é a prova de que você é uma alma, essa liberdade é a dignidade de você ser uma alma.
Ter uma alma significa que você tem o poder de escolher o que você quer fazer. E a coisa interessante é que você pode ter passado por alguns atos e situações milhares de vezes e, ainda assim, você pode sair fora disso, livrar-se disso, neste exato momento, se você assim decidir.
Mas o que acontece é que a mente tem a tendência de seguir o curso que oferece a menor resistência.
...Religiosidade é a capacidade de decidir. É um esforço para fazer com que as coisas aconteçam diferentemente de como têm acontecido sempre. É uma escolha, uma determinação. Repetir o que tem acontecido sempre até ontem, pode ser evitado através dessa compreensão".